As origens do Xamanismo

xamanismo é um termo genericamente usado em referência a práticas etnomédicas, mágicas, religiosas (animista, primitiva), e filosóficas (metafísica), envolvendo cura, transe, transmutação e contato entre espíritos de outros xamãs, de seres míticos, de animais, dos antepassados. Essencialmente técnicas de contato com o sagrado ou êxtase e, como analisa Jerome Rothenberg (1951-2010), utilizando uma linguagem, de certo modo precursora, do que conhecemos como poesia, uma criação de circunstancias linguísticas especiais como a canção e a invocação.

Segundo o escritor do livro O Xamanismo, Alix de Montal, o xamanismo propriamente dito é um fenômeno religioso da Ásia Central e Setentrional (povos altaicos, buriatas, samoiedos, iacutes, tungues, voguls entre outros) e das regiões árticas norte-europeias (lapões). Uma das mais antigas descrições que possuímos foi feita no século XVIII pelo arcipreste ortodoxo Avvrakum, fundador da seita dos velhos Crentes, o primeiro a atestar os costumes e o Xamanismo das populações norte-siberianas, junto às quais ele ficou exilado. Isso ocorreu entre 1653-1662, sendo um dos primeiros registros sobre a palavra xamanismo.

Livro O Xamanismo
de Alix de Montal – Ediouro

A palavra Xamã vem do dialeto Tungue saman, aparentado com o sânscrito sramana e com o pâli samana, que significa “ homen inspirado pelos espíritos”, segundo Mircea Eliade o xamanismo da Asia Central apresenta traços evidentes da influências iranianas (mesopotâmicas) indianas e budistas. Mantendo a ideia que todo ser sagrado ou objetos é envolvido por um campo de força divino e invisível. Encontra-se fenômenos xamânicos similares entre os esquimós, entre os índios da América do Norte, da América Central e da América do Sul , na Oceania, na Austrália, no sudeste asiático, e enfim , na India , no Tibete e na China. Sabe-se que os habitantes originais das duas Américas vieram da Sibéria. Seguindo os rebanhos de renas, teriam emigrado durante as grandes glaciações (20 mil a 10 anos a.C.) , passando pelo estreito de Bering ou por uma ponte terrestre ligando os dois continentes.

Este conjunto de práticas foi evidentemente adaptado e amalgamado a cada cultura e cada crença, mas em toda parte apresenta o mesmo conteúdo mágico-religioso e simbólico.

Líder de cerimônia Nativo

Na América do Norte o homem de Medicina seria o equivalente ao xamã siberiano, assim como o Pajé na América do Sul. Cada tribo tem seus ritos e suas iniciações, onde o iniciado é levado a cada etapa, sendo preparado às vezes por anos até estar apto a realizar os ritos e cerimônias dentro de sua sociedade tribal.

Devemos lembrar que não podemos generalizar o Xamanismo, pois cada povo e cada cultura têm seus ritos e iniciações. O conhecimento deve ser sempre respeitado, para que se mantenha nas futuras gerações, e não diluído pelo ego, ganância e outros fins.